segunda-feira, 3 de dezembro de 2007




por natalya dimov

Clarice e Vicente
Acontecendo no espaço, casa, corpo e produção

Clarice e Vicente viveram a casa enquanto dupla. Haviam se conhecido a pouco tempo, e estavam em uma fase de fascínio e descoberta no outro. Era visível e forte o comprometimento que um mostrava com o outro: escolheram, a princípio, um quarto de tamanho menor, afastado, com janelas e porta, para dormirem.
Clarice levou para o quarto uma verdadeira mobília: o colchão de Vicente, um outro colchão inflével, lençol, travesseiro e manta para os dois, que se posicionaram um ao lado do outro, os materiais de Clarice, muitos papéis, tintas, canetas, máquina de escrever, caixa de costura, jogo de xadrez, etc etc etc.
Desse modo, ambientou o quarto com uma carga simbólica pertinente a seu mundo pessoal e a um mundo a descobrir, com os materiais e com o parceiro de quarto. Vicente levou uma mala cheia de roupas, seus materiais de estudo e elementos de seu universo poético: caixa encontrada na rua, sapato, pedaços de tecido, linhas, agulhas.
Rapidamente o quarto se transformou em uma oficina, com placas de papel panamá espalhados pelo chão, canetas, lápis, e muitos desenhos. Os dois praticaram muito também o desenho no corpo um do outro. A vivência foi extremamente baseada no afeto dos dois, e a vivência maior que tiveram na primeira semana, foi entre eles.
Clarice e Vicente fizeram nascer a poética de uma outra já existente: a do relacionar-se e descobrir-se. Através da poética que ambos viveram, fortemente, no conhecer-se e descobrir-se, o trabalho de ambos nasceu, ocupando um espaço que era o do próprio ato, do corpo. Habitaram o lugar onde estavam, e o trabalho apresentado nos dias de exposição foi uma performance onde um costurava flores no corpo do outro, compondo palavras possíveis com flores-tipografias.

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